Hoje é daqueles dias em que sinto uma certa nostalgia... Não sei se é pela chuva que ainda não parou de sair em Coimbra, se é da música de relaxamento que estou a ouvir desde que acordei, ou se simplesmente estou assim porque há dias em que nos apetece sentir desta forma.
Esta semana, no entanto, não deixou de ser bem sucedida... Está escrita a proposta da minha tese de mestrado e devidamente assinada. Só falta entregar e esperar que ma aprovem. Depois disso, é deitar mãos à obra e aprofundar conhecimentos.
O estudo não correu mal de todo,mas ter a obrigação de estudar terapêutica das dislipidémias é algo que não aprecio, mas há teste próxima 2ª feira...
Este fim de semana não fui a casa. A minha amiga e companheira de quarto vai fazer aquele que é o exame mais temido de todo o curso - a oral de cirurgia do 6º ano. Há quem diga que depois desta feita, "já somos médicos"... Sobre o Professor, diz-me imensas coisas e ninguém sabe ao certo onde começa a verdade e onde termina a mentira e o exagero. Sobre a pressão: essa não há dúvidas, não há oral pior... Não importa mais nada, a não ser ter sorte nas perguntas, transmitir segurança e confiança (tarefa mmmmmuito mais difícil do que o que pode parecer) e claro, saber expor o pensamento e raciocínio de forma correcta e clara.
Sinto-me preocupada com ela, e estou solidária à carga que eu sei que ela transporta nos ombros neste momento. Espero sinceramente que 2º feira seja um dia feliz para ambas!
E tudo isto me leva a pensar na quantidade de coisas que nos são exigidas no 6º ano! Não é tão somente ir aos estágios de manhã, como eu sei que acontece em algumas faculdades do país... Além dos nossos estágios começarem mais cedo e terminarem mais tarde que os das outras faculdades, o pessoal do 6º ano tem seminários 2 vezes por semana, toda a tarde, com presença obrigatória. E depois em cada estágio temos a seguinte lista de tarefas:
- Cirurgia (2 meses): estágio + urgências + entrega de relatório de actividades do estágio + avaliação prática/oral (história clínica escrita + discussão com o Regente do Estágio e Tutor sobre o caso + perguntas teóricas) - que é eliminatório, e sem o qual não se pode fazer o Exame escrito.
- Medicina Interna (2 meses): estágio + urgências + oral + teste escrito
- Medicina Intensiva (1 semana) - avaliação enquadra-se dentro do estágio de Medicina Interna
- Urgências de Medicina (1 semana) - avaliação enquadra-se dentro do estágio de Medicina Interna
- Saúde Materna (1 mês): estágio + urgências + teste escrito
- Saúde Infantil (1 mês): estágio + apresentação de artigo científico + oral + entrega de história clínica
- Psiquiatria (1 mês) - entrega de história clínica
- Oncologia (2 semanas)
A juntar a isto tudo, temos a entrega e defesa da tese de mestrado, o estudo para o famoso Harrison (tempo de estudo esse que fica super limitado com tantos trabalhos e orais e testes escritos)...
Enfim, talvez seja por causa disto que hoje acordei mais nostálgica. Esta realidade, iminente mais que nunca por estar a acompanhar o 6º ano da minha amiga, inevitavelmente torna-se assustadora... Dá a ideia que vamos ter de provar o nosso valor até morrermos, dá a ideia que as avaliações nunca vão terminar... E hoje, hoje sinto-me cansada demais para continuar esta batalha...
