sábado, 21 de abril de 2012

Reflexões sem Lógica - 6º ano em Coimbra

Hoje é daqueles dias em que sinto uma certa nostalgia... Não sei se é pela chuva que ainda não parou de sair em Coimbra, se é da música de relaxamento que estou a ouvir desde que acordei, ou se simplesmente estou assim porque há dias em que nos apetece sentir desta forma.

Esta semana, no entanto, não deixou de ser bem sucedida... Está escrita a proposta da minha tese de mestrado e devidamente assinada. Só falta entregar e esperar que ma aprovem. Depois disso, é deitar mãos à obra e aprofundar conhecimentos.
O estudo não correu mal de todo,mas ter a obrigação de estudar terapêutica das dislipidémias é algo que não aprecio, mas há teste próxima 2ª feira...

Este fim de semana não fui a casa. A minha amiga e companheira de quarto vai fazer aquele que é o exame mais temido de todo o curso - a oral de cirurgia do 6º ano. Há quem diga que depois desta feita, "já somos médicos"... Sobre o Professor, diz-me imensas coisas e ninguém sabe ao certo onde começa a verdade e onde termina a mentira e o exagero. Sobre a pressão: essa não há dúvidas, não há oral pior... Não importa mais nada, a não ser ter sorte nas perguntas, transmitir segurança e confiança (tarefa mmmmmuito mais difícil do que o que pode parecer) e claro, saber expor o pensamento e raciocínio de forma correcta e clara.
Sinto-me preocupada com ela, e estou solidária à carga que eu sei que ela transporta nos ombros neste momento. Espero sinceramente que 2º feira seja um dia feliz para ambas!
E tudo isto me leva a pensar na quantidade de coisas que nos são exigidas no 6º ano! Não é tão somente ir aos estágios de manhã, como eu sei que acontece em algumas faculdades do país... Além dos nossos estágios começarem mais cedo e terminarem mais tarde que os das outras faculdades, o pessoal do 6º ano tem seminários 2 vezes por semana, toda a tarde, com presença obrigatória. E depois em cada estágio temos a seguinte lista de tarefas:
  • Cirurgia (2 meses): estágio + urgências + entrega de relatório de actividades do estágio + avaliação prática/oral (história clínica escrita + discussão com o Regente do Estágio e Tutor sobre o caso + perguntas teóricas) - que é eliminatório, e sem o qual não se pode fazer o Exame escrito.
  • Medicina Interna (2 meses): estágio + urgências + oral + teste escrito
  • Medicina Intensiva (1 semana) - avaliação enquadra-se dentro do estágio de Medicina Interna
  • Urgências de Medicina (1 semana) - avaliação enquadra-se dentro do estágio de Medicina Interna
  • Saúde Materna (1 mês): estágio + urgências + teste escrito
  • Saúde Infantil (1 mês): estágio + apresentação de artigo científico + oral + entrega de história clínica
  • Psiquiatria (1 mês) - entrega de história clínica
  • Oncologia (2 semanas)
A juntar a isto tudo, temos a entrega e defesa da tese de mestrado, o estudo para o famoso Harrison (tempo de estudo esse que fica super limitado com tantos trabalhos e orais e testes escritos)...

Enfim, talvez seja por causa disto que hoje acordei mais nostálgica. Esta realidade, iminente mais que nunca por estar a acompanhar o 6º ano da minha amiga, inevitavelmente torna-se assustadora... Dá a ideia que vamos ter de provar o nosso valor até morrermos, dá a ideia que as avaliações nunca vão terminar... E hoje, hoje sinto-me cansada demais para continuar esta batalha...

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Horário 4º Ano - 2º Semestre

Para todos aqueles que me têm perguntado como é o meu horário, se não tenho tempo para nada, aqui fica uma imagem do meu tempo. 


Todos esses tempos livres que são ocupados de diferentes formas, consoante a semana, se tenho agendado ou não testes para as semanas seguintes, consoante o que me apetece também... 
Às vezes vou para as urgências de medicina, especialmente à noite, outras vezes vou para as consultas externas de Ginecologia, outras para a biblioteca, ou então, e que sabe tão bem, vou dar uma voltinha, fazer nada... A sexta à tarde é ocupada pela viagem de comboio e a recepção da família. Sábado e Domingo tudo é feito em slow motion..mesmo que haja uma pilha de coisas para estudar... 
Ao Domingo não estudo, é o "meu dia" (excepto se tiver uma frequência na semana seguinte).

Só para que percebam que o horário de faculdade não é nenhum bicho de 7 cabeças. A grande diferença para o secundário não são o numero de horas, mas sim a quantidade de matéria e o grau de dificuldade da mesma que é dada em 1h. Como podem reparar só ética é que são 2 horas por semana de teórica, mas porque não há práticas...

Espero que tenha sido útil.

Beijos e Abraços!

sábado, 7 de abril de 2012

Reflexões sem Lógica - Ciência e Religião

 

Que a Ciência e a Religião não se entendem, na maior parte dos casos, e um pouco por tudo o mundo, isso já nós sabemos e não é disso que vou falar. Pelo menos, não numa visão tão generalista e impessoal; o que venho escrever está para além daquilo que se encontra no Google e não tem nenhuma intenção persuasiva, é apenas a minha opinião e não mais que isso.

Eu cresci no seio de uma família cristã. Passei por várias fases durante o meu desenvolvimento, como qualquer pessoa, e numa delas, pensei seriamente em ser freira. Depois isso passou-me e hoje já nem à missa vou.
Não deixei de acreditar em Deus, apenas o vejo de outra forma, totalmente diferente da forma que os padres e toda a Igreja dita.

Para mim, Deus somos todos nós, Humanos, e tudo o que constitui a natureza. Daí que eu de facto considere que Deus é omnipotente, omnisciente, omnipresente. Deus é uma forma, uma energia que se renova, que todos respiramos e que todos temos dentro de nós, que faz mexer os átomos de cada célula... Não o vejo como o Pai bondoso que cuida de nós, porque então seria injusto para com todos aqueles miseráveis que se encontram pelo mundo fora... Porque se ele fosse bondoso, não castigaria o povo do Egipto, como diz na Bíblia que o fez... Não pediria a Abraão para matar o seu filho, só para ver a quem este amava mais...não poderia ser caprichoso dessa forma... Defendo a existência de um Deus não antropomórfico, como afirma a Igreja, mas sim como uma inteligência superior e com uma determinada intenção na criação do Universo e no surgimento da Humanidade.

Acredito em reencarnação. Acredito que estamos na vida para melhorar os nossos defeitos, para sermos melhores, sempre melhores do que o que fomos no dia anterior, até que a natureza dite a nossa morte... e depois da morte há algo, claro, há um período que não sei definir e que nos faz depois voltar à vida... Porque se é verdade que "nada se perde, tudo se transforma", então a nossa "alma" não vai a lado nenhum...fica aqui, no Universo, e o nosso corpo e a nossa energia passa a ser a energia de outra pessoa, de outro ser vivo e nesse sentido, então reencarnamos.

Como pessoa da ciência, há determinadas coisas que não consigo aceitar. Se eu tenho um cérebro, se ele pensa, se eu consigo raciocinar então não me podem dizer que Maria, mulher que para mim é um exemplo de vida, pôde ter um filho sendo virgem. O sentido filosófico que querem dar à palavra posso aceitar, mas na realidade todos nós sabemos como um filho é feito e não vem das cegonhas... Acredito que Ela era de facto pura, no seu coração, mas a meu ver a ideia de uma mãe virgem foi a bonita imagem que a Igreja quis criar, para condenar o "pecado". Pecado esse não passa de um acto de amor do qual a natureza em si se renova. "A evolução proporcionou prazer ao momento, assim como proporcionou ao acto de comer, de dormir, para que os seres vivos o quisessem e dessa forma as espécies fossem perpetuadas". (Cito um dos padres que ouvia aos domingos de manhã, e que em todas as Eucarísticas falava deste assunto, e esta frase não podia faltar).

Acredito que Jesus é filho de Deus, assim como nós o somos, já que partilhamos dessa mesma energia e acredito que um dia o iremos ver, se conseguirmos alcançar essa paz de espírito, essa perfeição, a que fomos propostos. Libertámo-nos da roda do karma, interrompendo o processo de contínuos renascimentos, como diriam os Budistas. Nesse momento, então somos Deus, na medida em que nos igualamos à sua Perfeição.

Acredito que Jesus deva ter amado uma mulher, como qualquer homem adulto que se entrega aos dons do amor... Não acho produtivo nem correcto, portanto, que os padres não possam amar... Se todos nós temos uma missão na vida e cada um de nós contribui com um pouco de si para o bem geral (pelo menos deveria ser assim), então o padre teria a sua própria missão e a meu ver, teria de ter excelentes habilitações em psicanálise e psicologia, complementado claro, pela teologia.

Não acho correcto louvar os Santos. São um exemplo de vida, mas a palavra adoração é muito mais que isso... Creio que devemos louvar os dons da vida, da saúde, da sabedoria... Que numa perspectiva cristã poderiam corresponder aos dons do espírito santo, e que para mim são os "prémios" acumulados de outras experiências...

Não acredito em "confissão", porque se Deus é omnisciente, então ele sabe, por nós mesmos, aquilo que fizemos de bem e de mal a cada dia, e nesse sentido não creio que seja necessário dizê-lo a quem quer que seja, só porque alguém o ditou. Creio que reflectir a cada dia e propor-nos a melhorar é de valorizar e é o exercício que deve ser feito, e que os orientais chamam de Meditar. Acredito inclusive que isso é mais importante que ir à missa, um acto que a meu ver é, para a maioria das pessoas, apenas um ritual. Aposto que apenas 2% das pessoas está realmente o ouvir e sentir tudo o que diz; as outras 98% dizem o credo de cor e só o sabem dizer na missa, em conjunto, onde desligam o cérebro e deixam apenas a língua solta.... Aposto que apenas 20% entende o que o padre diz na homilia e o transcreve para a sua vida. 

Creio que todas as religiões falam do mesmo, assim como a Ciência, mas de forma diferente. 
Vários conhecidos cientistas viveram divididos entre aquilo que acreditam e aquilo que estudavam. Newton é exemplo disso e creio que posso partilhar de alguns dos seus pontos de vista. Ele fez da matemática um modo de estudar a Bíblia. Newton acreditava na criação por Deus e, para resolver o problema de um tempo tão curto, observou que a Bíblia não afirma quantas horas durava um dia no momento da Criação. Como ainda não existia Terra nem movimento de rotação, um dia poderia ser quanto Deus decidisse. 
A Igreja Católica era tudo o que Newton mais odiava. Chamava-a de Anticristo – ou de a “meretriz da Babilônia” – e acreditava que todas as mentiras do mundo tinham começado no Concílio de Nicéia, em 325. O concílio estabeleceu toda a simbologia cristã que se usa até hoje. Ali foi decidida a força da Santíssima Trindade e a ambivalência entre Jesus e Deus. Newton achava que isso era fruto da corrupção dos políticos romanos, preocupados em conquistar mais fiéis.


Portanto hoje, véspera de Páscoa, confesso que sinto um vazio, por gostar de ter um grupo de pessoas que acreditassem no mesmo que eu, que me ajudassem a crescer... Já todos sabemos que o Homem é um ser social, e que necessita de se enquadrar para se sentir completo. A mim, hoje, falta-me uma religião que pudesse complementar a minha ciência...